27 de Março de 2026
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2025, 06h:20 - A | A

PREÇO EM DISPARADA

Com alta no preço do chocolate, doceiros abusam da criatividade na Páscoa

Mesmo com o aumento dos preços, a qualidade do produto tem sido a prioridade dos confeiteiros

Cecília Nobre

A alta no preço do cacau devido à quebra de safra tem impactado empresários e microempresários. A fruta é a base do chocolate, produto que, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), teve um aumento de aproximadamente 19%, o maior pico dos últimos 13 anos. Nesse período de Páscoa, os doceiros e confeiteiros, que dependem do produto, tentam driblar a situação para manter as vendas, sem deixar cair a qualidade.

Danielly Cristine Chaves Crescêncio (@magnificogourmet01), de 30 anos, trabalha com a produção e venda de ovos de chocolate há três anos. Ao #rdnews, a personal trainer, que costuma brincar com seus alunos dizendo “você pode emagrecer comigo, mas também você pode engordar um pouquinho”, relatou que começou a trabalhar com ovos de Páscoa de colher para complementar a renda. Recentemente, ela também passou a vender bolos de pote e, às vezes, se arrisca em outros doces.

Arquivo Pessoal

Danielly Cristine Chaves Cresc�ncio

Danielly Cristine, que realiza a venda de ovos de Páscoa e bolos de pote para complementar a renda de personal trainer

“Na época [que comecei], eu vi uma propaganda no Instagram de um curso online. Comprei e passei a fazer os ovos [de chocolate]. Eu acho que os ovos foram uma porta de entrada para outras coisas, como o bolo de pote e quem sabe, futuramente, comece a fazer bolos de aniversário também. Mas os ovos são, assim, o carro-chefe”, disse Danielly.

Questionada sobre o impacto financeiro devido ao preço do chocolate, Danielly disse que tem sido complicado, pois não pode baixar a qualidade do produto, para não “ferir” sua imagem profissional, então acaba diminuindo o próprio lucro para não perder a clientela. 

Se você compra um produto de qualidade e, depois, quando vai comprar novamente está com uma qualidade inferior, você não volta mais a comprar

Danielly Cristine

“Se você compra um produto de qualidade e, depois, quando vai comprar novamente está com uma qualidade inferior, você não volta mais a comprar. Então, a gente tenta equilibrar. Mesmo que diminua um pouco o lucro, mas que mantenha sempre a qualidade. Impactou em relação a isso", disse.

Quanto às estratégias para driblar os preços do chocolate, Danielly disse que compra as embalagens com antecedência e sempre pela internet, pois sai mais barato. Além disso, ela tem utilizado outros tipos de recheio e itens para colocar nos ovos, como o uso de marshmallow e bombons “para ocupar mais espaço”, manter a qualidade e conseguir obter lucro. 

“Se antes eu colocava só brigadeiro de ninho com morangos, eu passei a colocar marshmallow, por exemplo. Que é uma coisa que não é tão cara, enfeita e ocupa espaço na embalagem. Então, ao invés de complementar com mais dois ou três brigadeiros enrolados, eu venho com marshmallow, o que deixa mais bonito também”, relatou.

Inovando com pudim

Marcelo Vieira (@pudimdovieira), de 62 anos, começou fazendo pudins para festas em família. Ele, que faz parte de uma loja maçônica, onde realiza eventos beneficentes, passou a receber pedidos para vender seus pudins no estabelecimento. Segundo ele, começou com 50, no ano seguinte passou para 100 e depois 200 pudins pequenos. 

“Aí, em 2024, minhas duas filhas e minha esposa perguntaram porquê eu não abria um espaço de vendas online, para entregar os pudins. Então, eu resolvi fazer. Divulgando boca a boca e no Instagram”, explicou.

Annie Souza/Rdnews

Marcelo Vieira, ovos, pascoa, pudim

Marcelo Vieira, autônomo que embarcou na venda dos ovos de Páscoa com pudim

O doceiro, que trabalha com produtos gourmets, disse que decidiu embarcar na venda de ovos de Páscoa com pudim para acompanhar as tradições dos períodos festivos. No final do ano passado, por exemplo, ele vendeu pudim de panetone.

Achei que não seria tão bem recebido quanto fui. Soltei no Instagram, minhas filhas soltaram e foram vindo pedidos, a maioria sendo de fora da família

Marcelo Vieira

“No Natal, eu fiz pudim de panetone. Agora, na Páscoa, eu vou fazer ovo de Páscoa com pudim. Aí em junho e julho vai ter festa junina, então vou fazer de cocada, de amendoim… Então a gente vai fazendo tipos diferentes nas épocas festivas” disse Marcelo.

Segundo ele, houve um aumento considerável nos preços dos chocolates e também de outros ingredientes, como o ovo de galinha. Entretanto, destacou que sua prioridade é a qualidade do produto final, de modo que sempre utiliza ingredientes renomados - inclusive compra chocolate nobre/puro, cujo preço está em torno de R$ 80 o quilo, quando há cerca de quatros meses custava R$ 38 o quilo. 

“Eu tive que comprar de São Paulo, pela internet, porque aqui é muito mais caro. Então, por exemplo, eu comprei o chocolate, a caixinha e a colherzinha, que vem tudo separado. E consegui fazer um preço acessível para os meus clientes, perante os concorrentes que tem aí”, destacou.

Marcelo disse ter boas expectativas de vendas, mesmo essa sendo a sua primeira vez vendendo ovos de chocolate. “Eu achei que não seria tão bem recebido quanto fui. Hoje eu estou com mais de 20 pedidos. E, para uma primeira vez, é gratificante. Eu soltei no Instagram, minhas filhas soltaram e foram vindo pedidos, a maioria sendo de fora da família”, relatou.

Annie Souza/Rdnews

Marcelo Vieira, ovos, pascoa, pudim

Produção de pudins e ovo da Páscoa com pudim de Marcelo

Pesquisa aponta aumento de vendas

Um levantamento realizado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae-MT) estima que a Páscoa movimente cerca de R$ 640 milhões para a economia local. Segundo o Sebrae, a intenção de compra de chocolate nesta data teve um aumento em relação a 2024, passando de 36% para 62% dos entrevistados. Além disso, os ovos de Páscoa ainda são a preferência de 69% dos consumidores - especialmente aqueles que recebem entre dois e cinco salários mínimos.

A pesquisa aponta também quanto à intenção de compra dos produtos artesanais de “categoria premium”, também conhecidos como gourmet, em 22%. Entretanto, o Sebrae destaca que, para a maioria dos entrevistados, cerca de 60%, o preço ainda é determinante na hora de realizar a compra. O ticket médio de gastos é de R$ 405,70 e uma parte considerável dos entrevistados disse que deve investir cerca de R$ 250.

O levantamento foi realizado por meio de entrevistas telefônicas entre os dias 18 de fevereiro e 7 de março de 2025 em todo o estado de Mato Grosso. Foram entrevistados 1.089 residentes maiores de 18 anos. Para a sondagem, utilizou-se a metodologia quantitativa, com margem de erro de 5% e índice de confiança de 95%.

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