06 de Abril de 2026
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CIDADES Domingo, 05 de Abril de 2026, 14:48 - A | A

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EXPOSIÇÃO PRECOCE

IBGE: 31% dos adolescentes começam a beber aos 13 anos em Mato Grosso

Dados de 2024 mostram alta da exposição precoce, acesso facilitado à bebida e consumo entre jovens de 13 a 17 anos

Cecília Nobre

O consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes em Mato Grosso é apontado como um problema de saúde pública. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 53,4% dos estudantes de 13 a 17 anos no estado já experimentaram álcool pelo menos uma vez na vida.

O percentual coloca o estado próximo da média nacional, que é de 53,6%. A pesquisa considera como consumo a ingestão de pelo menos uma dose completa de bebida alcoólica, não incluindo apenas “experimentar o gosto ou tomar alguns poucos goles”.

Pexels

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Exposição precoce

Segundo o levantamento, a experimentação do álcool ocorre ainda na adolescência e tende a crescer com a idade. Em nível nacional, o levantamento mostra que o índice varia de 46,4% entre jovens de 13 a 15 anos até 66,3% entre aqueles de 16 e 17 anos.

Além disso, o início precoce é frequente. Em Mato Grosso, cerca de 31% dos adolescentes relataram ter tomado a primeira dose com 13 anos ou menos, indicando que o contato com o álcool ocorre muito  antes da idade legal.

Esse cenário preocupa especialistas porque, segundo o próprio IBGE, “a experimentação de substâncias na adolescência é preditora de abuso de substâncias, problemas de saúde, baixo desempenho escolar” e outros impactos sociais e psicológicos.

Consumo recente ainda atinge parcela significativa

Apesar de uma tendência de queda, o consumo recente de álcool - medido entre os que beberam ao menos um dia nos 30 dias anteriores à pesquisa - ainda atinge uma parcela relevante dos adolescentes.

No Brasil, esse indicador caiu de 28,1% em 2019 para 20,4% em 2024. Em Mato Grosso, o percentual é de 25,1%, ou seja, acima da média nacional.

Em Cuiabá, os dados mostram um cenário semelhante: 23,5% dos adolescentes relataram ter consumido bebida alcoólica em um ou dois dias nos 30 dias anteriores à pesquisa, enquanto uma parcela menor declarou um consumo mais frequente no período. O levantamento também indica que 60,1% não consumiram álcool no período, evidenciando que, embora presente, o consumo não é majoritário entre os estudantes da Capital.

Os dados também revelam diferenças por gênero. Em âmbito nacional, “as meninas (23,5%) consomem mais que os meninos (17,2%)”, mantendo uma tendência observada nos últimos anos.

Imagem gerada por Cecília Nobre, utilizando IA

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Acesso facilitado

Mesmo sendo proibida a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, o acesso continua relativamente fácil. A pesquisa aponta que 35,5% dos adolescentes conseguiram a bebida comprando diretamente em estabelecimentos comerciais, como mercados, bares e padarias.

Na capital mato-grossense, esse padrão também se repete: 33,9% dos estudantes que beberam conseguiram a bebida comprando em locais como mercados ou bares. Outra forma comum de acesso são as festas, citadas por 20,4% dos estudantes no cenário nacional.

A experimentação de substâncias na adolescência é preditora de abuso de substâncias, problemas de saúde, baixo desempenho escolar

IBGE

Outro fator associado ao consumo é o ambiente familiar. A pesquisa mostra que 61,5% dos adolescentes convivem com pais ou responsáveis que consomem álcool, proporção semelhante à observada em anos anteriores.

Problema persistente

Apesar das reduções recentes, o IBGE reforça que o consumo de álcool na adolescência continua sendo um desafio. O uso da substância está associado a “distúrbios mentais e comportamentais, doenças [...] e lesões resultantes de violência e acidentes de trânsito”.

Além disso, a pesquisa destaca que comportamentos iniciados nessa fase tendem a se prolongar ao longo da vida, o que reforça a necessidade de políticas públicas de prevenção voltadas a esse público.

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