Os produtos exportados por Mato Grosso são os menos tecnológicos do país. De acordo com o Anuário da Indústria, elaborado pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), o estado está na "lanterna" do indicador de qualidade de exportação porque não envia para fora produtos industrializados com complexidade tecnológica incorporada. Isto é, não possui indústrias voltadas a setores de produtos eletrônicos, automóveis, químicos, farmácia, entre outros.
Pedro Silvestre

Segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), Mato Grosso faturou US$ 27,62 bilhões em exportações no ano passado, movimentando 64 milhões de toneladadas para 161 países. Logo, o estado ocupa o quarto lugar em participação nas exportações do país e supera São Paulo, o primeiro colocado, em volume, que movimenta 62 milhões de toneladas. Atualmente, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 88% das exportações de Mato Grosso são de produtos alimentícios, derivados de soja e carne. O setor de alimentos está entre os principais segmentos industriais de quatro das cinco regiões analisadas pelo Anuário da Indústria.
No entanto, ainda que sejam rentáveis, o processo de industrialização de um corte bovino ou de um farelo de soja não envolve tanta complexidade quanto montar um celular, por exemplo.
“Grande parte da nossa exportação, para não dizer quase toda ela, está orientada para esses produtos que estão em elos iniciais do processamento, da verticalização da nossa produção primária. São produtos mais primários mesmo, mais básicos e, geralmente, são produtos insumos industriais para outros processos”, conta o coordenador de Internacionalização da Fiemt, Antonio Lorenzi.
Conforme o Anuário da Indústria, apenas 1,11% das exportações de Mato Grosso são produtos com alta tecnologia, como produção de químicos ou itens elétricos. Entretanto, segundo Antonio, não é interesse da indústria de Mato Grosso se afastar do agronegócio, mas potencializá-lo, de forma com que haja mais produtos desse setor participando da indústria de transformação.
“O ideal para Mato Grosso é uma cadeia industrial consolidada, diversificada, complexa, muito bem estruturada, com arranjos produtivos muito bem consolidados. Isso não é para deixarmos de ser 'réfens' do agronegócio, porque ele é importante e nunca vai deixar de ser. No entanto, é bom também a gente ter a nossa excelência, a nossa referência em agronegócio em outros setores do nosso setor produtivo”, defende Lorenzi.
Vocação natural
Um dos destaques ao mencionar a industrialização do agronegócio é o crescimento de indústrias de etanol de milho. Mato Grosso é o maior produtor de etanol de milho do Brasil, fato que abre oportunidades para a inserção de outros produtos do setor dentro da indústria, colaborando com os potenciais do estado.
“A vocação natural do Mato Grosso é que a gente tenha a indústria junto com os produtos agropecuários. Só não somos os maiores produtores de etanol porque São Paulo produz muito etanol de cana-de-açúcar, mas somos os de milho. As nossas usinas são flex, produzindo dos dois tipos. Isso é industrialização”, comenta o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico César Miranda.
Rodinei Crescêncio

Existem, atualmente, 12 usinas de etanol de milho pelo estado, as quais produziram 4,43 bilhões de litros em 2023. Esse número, inclusive, pode aumentar, já que a produção de milho pode crescer 70% nos próximos 10 anos, segundo projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
A estratégia da industrialização do etanol é algo que pode ser replicado em outros setores. Para Antonio, é mais conveniente que haja a atração de indústrias de tecnologia voltadas ao agro do que manter a importação, mesmo que seja de outros estados.
“Se existe esse processamento da nossa agroindústria, obviamente também há espaço, por exemplo, para um grande crescimento da indústria de maquinários, para a nossa produção agrícola. Não precisa ser necessariamente somente o processamento de alimentos”, refletiu.









